A primeira fotografia na Internet – 20 anos depois, um pouco de história

Há 20 anos foi colocada a primeira fotografia na World Wide Web, de uma banda feminina de nome Cernettes. A história da banda e da Web estão intimamente ligadas, pois ambas nasceram no CERN.

A primeira fotografia a ser colocada online, em 1992, retrata um grupo muito popular entre a comunidade científica à época: “As Horríveis Cernettes”, uma banda, ao estilo das clássicas Ronnetes ou Marvelettes, composta por quatro funcionárias do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), em voga nos últimos anos com os avanços na busca da “Partícula de Deus”.

Silvano de Gennaro, o autor da fotografia, trabalhava em tecnologias da informação no CERN, em proximidade com os cientistas que inventaram a Web e a tornaram pública, como Tim Berners-Lee.

A par do seu trabalho no CERN, Silvano de Gennaro era manager das Cernettes e autor das suas canções, com títulos como “O meu querido tem um prémio Nobel” e letras como “Disseste que eu seria tua 3024000 segundos por ano, incluindo anos bissextos”.

No dia em que a fotografia foi tirada, a 18 de julho de 1992, o manager estava nos bastidores do Hardronic Music Festival, um evento anual criado pelos administradores do CERN. Silvano queria tirar uma fotografia para ilustrar a capa do próximo CD da banda e pediu aos elementos para se inclinarem e sorrirem. O que ele não sabia na altura era que a fotografia teria outro destino.

Acontece que Tim Berners-Lee fazia parte de um grupo de ópera amadora, no qual também participavam dois dos elementos das Cernettes, assim como o seu manager. Foi assim que se conheceram, tornando-se Lee um grande fã da banda.

Por isso, quando Lee precisou de uma espécie de “cobaia fotográfica” para testar uma nova versão da World Wide Web que permitisse fotografias, pediu que lhe cedessem uma imagem das Cernettes.

A decisão de fazer o upload de um conteúdo não científico, numa altura em que a Internet era usada quase exclusivamente por laboratórios de física, foi uma espécie de mudança de paradigma, pois a Internet só era utilizada para assuntos “sérios”. No entanto, a fotografia acabou por passar despercebida online.