O que é que se passou ontem, em Espanha?

Quem o promoveu, chamou-lhe “Processo de Participação Cidadã”. Quem esteve contra colocou-lhe a etiqueta de processo “um simulacro inútil e estéril”, mas o certo é que 2.5 milhões de pessoas foram ontem exprimir-se – naquilo que poderia ser um referendo primeiro e uma consulta popular depois, ambos declarados ilegais pelo Tribunal Constitucional Espanhol –  duas perguntas inscritas nos boletins de voto: “Quer que a Catalunha seja um Estado?” e, nesse caso, “Quer que a Catalunha seja um Estado independente?”.

Quem quer que faça as contas é muita gente a ir às urnas. As previsões mais conservadoras dos apoiantes da consulta, em Espanha, apontavam para 800 a 900 mil pessoas. Só os mais optimistas falavam em ter um milhão e meio ou dois milhões a participar num processo que a generalitat foi proibida de organizar pelo Tribunal Constitucional, que, respondendo a uma denúncia do Governo de Mariano Rajoy, suspendeu primeiro um referendo e depois uma consulta que não seria vinculativa. Artur Mas nunca se desresponsabilizou do processo, mas coube a dois grupos de cidadãos, a Associação Nacional Catalã e a Omnium Cultural, angariar voluntários (mais de 40 mil), imprimir boletins, formar gente para estar nas mesas e garantir que os centros de voto abriam em toda a comunidade. “Sem estes catalães e estas catalãs, isto nunca teria sido possível”, disse o presidente da generalitat, antes de pedir ao primeiro-ministro, Mariano Rajoy, “vistas altas”.

E agora? Será este o último extertor dos movimentos independentistas europeus, já depois do não ter vencido na Escócia?