Apple limpa trabalho escravo da sua linha de produção.

A política de responsabilidade social para com os trabalhadores de toda a cadeia de fornecimento da Apple  esteve recentemente sob escrutínio da Verité, que fez a limpeza de toda a cadeia de fornecimento asiático da gigante tecnológica norte americana que responder perfeitamente ao argumento de que uns não podem ganhar rios de dinheiro à custa de trabalho forçado de outros.

Uma das formas de escravatura moderna é a coacção através da dívida, a chamada servidão por dívida. A história típica é a de uma trabalhadora filipina, exemplifica Dan Viederman: tem qualificações, não arranjava trabalho no seu próprio país, falou com alguns recrutadores, pede um empréstimo de 3500 dólares para a viagem até Taiwan, onde iria trabalhar numa fábrica de electrónica. O que lhe acontece é o que acontece a milhares de pessoas: percebe que o que foi prometido não vai ser pago, e que o que vai ser pago é menos do que o salário mínimo, apenas 325 dólares por mês; desse ordenado, vai-lhe ser deduzida uma quantia de 190 dólares para pagar o empréstimo; depois deduzem-lhe outros 50 dólares pela casa, que afinal é partilhada com outros; ela, que pensava que ia trabalhar numa fábrica moderna, afinal trabalha dez horas por dia e depois desse expediente ainda é levada para outra fábrica, acabando por trabalhar 14 horas no total. Os recrutadores ficam-lhe com o passaporte; ela está ilegal e não consegue sair do país, nem tem dinheiro, e fica “numa condição de trabalho forçado”.

A Apple parace estar limpa, mas quantas outras marcas de top of mind que utilizamos no dia a dia é que poderão dizer isso?